CORUMBA CAPITAL DOS NEGROS DE MS

  Por ter a maioria da população descendentes de negros ou afrodescendentes,Corumbá Ms é considerada a Capital da Negritude de Ms,por isso o Movimento Negro está intensificado os seus trabalhos nas tres vertentes;religiosa,cultural e esportiva.

PANTANAMÉRICA-UM SUCESSO

  Durante o Festival América do Sul,os ativistas culturais de Corumbá e Ladário fizeram o O Lado do Festival América do Sul:Pantanamérica que atingiu os seus objetivos mostrando a nossa Arte em vários espaços inusitados,dentre os quais,a séde do IMNEGRA com Exposição de Artesanato do artista Lidio Sampaio.

Poeta bom meu bem... Poeta morto!

Peço desculpas pela morbidez dos versos meus mas para encerrar esta série de poemas póstumos vai aqui o meu poema de lápide

Epitáfio

Fui aquele que catalisou
o que em outros cristalizou.
.
Houve em mim um nicho
de intenções subcutâneas.
.
O que aflorava
palavras/versos
já me devorava há tempo.
.
Minha fotografia
foi um desenho mutante,
houve sempre o risco
de esquecer o último rosto.
.
Não me leu
quem me viu.
.
Morei dentro
do olho do poema.
.
Fui tinta
tela e tema.

Poemas póstumos (parte X -final- )

Da mais profunda 
floresta de algas
vem essa algazarra 
que agita a superfície.
.
Sobrevivo 
a violência da maré
como marisco
incrustado na pedra.
.
Quem de vós socorrereis 
o corpo dissecado,
a alma exposta na calçada?  
Quem de vós ouvireis meu canto?
.
Vegetaremos
pau e pedra, pó e lixo
nos escombros da vida,
como garrafas pet vazias
flutuando na Bahia da Guanabara
.
Eu e eu
nós
em
mim
abraçados
numa solidão
sem
f
i
m

Poemas póstumos (parte IX)

Todos os caminhos 
conhecem meus passos.
.
Nada me surpreende 
nesta vida casta,
já não me abrigam
as paredes desta casa.
.
O que sou agora senão
essa brisa no rosto,
esse gosto de nuvens na boca,
essa voz rouca a ecoar na imensidão.
.
Quanto mais alto vou no meu voo,
no meu desejo de céu
mais nitidamente me vejo

Poemas póstumos (parte VIII)

Distanciado, assim, de mim,
forasteiro na vida que me suporta,
postulo viver póstumo.
.
Erijo pois um outro
como negação da negação
que viver é negar a morte.
.
Esse outro... 
Esse valente outro...
Capaz de suplantar a vida
e dar-me em vida outra vida
.
Esse outro
que levanta-se
do porão 
da existência
.
como sol  quarando 
a manhã de um novo dia

Poemas póstumos (parte VII)

Quero mais do que posso viver,
quero ir além do que posso ver.
.
Velai por mim oh Deus dos insensatos,
cuidai de mim oh Deus dos insensatos.
Perdoai  toda minha desregrada lucidez,
perdoai o olhar faminto
com que devoro horizontes, perdoai!
.
Perdoai oh Deus dos incautos
toda impaciência contra a redondice
das coisas que voltam sempre
para o mesmo lugar.
.
Oh Deus dos aflitos protegei-me 
do frio que faz no pico deste iceberg,
que o calor das minhas certezas
não derreta o chão de gelo sob meus pés.
.
Que eu não veja, no esplendor deste ocaso,
(Ler mais)

Poemas póstumos (parte VI)

Esse vazio nos olhos e nos corações
esse esperar de barco atracado no cais.
.
Essa lentidão tingindo os dias
de um amarelo sem graça
em todos os contornos
em tudo em torno.
.
Nada me satisfaz, não há limite
que (de) limite o desespero dos meus ais.
.
Uns vão outros vem
e não se ouvem e não se veêm.
.
Mundo fútil, vida fútil!
Vida fácil sob o sol dos insensíveis,
patéticos espantalhos de lavoura!
.
Não espantarão a tempestade,
não amenizarão a ira deste céu chumbo,
não serão mais que alegorias
ante a furia do tempo.

Poemas póstumos (parte V)

As coisas gritam lá fora,
o carro acelerando... 
O burburinho de vozes... 
a pressa expressa
na vida engarrafada,
na alma desossada.
.
Nada além dos motores das máquinas
nada além da fumaça sobre a cidade
.
perambulamos pelas vielas 
de concreto
nossos discretos olhares 
domesticados
.
Apodreceremos em pé
à espera de um novo tempo
enquanto a esperança
viaja em tardes lentas
montada no cavalo da esperança

Poemas póstumos (parte IV)

.
Essa leveza pecaminosa,
esse abandonar o corpo,
esse flutuar na alma.
.
É preciso ser forte
para desvincular culpa
e aceitar a sorte ou a morte.
.
Se morrer é isso,
várias mortes vivi.